Entrevistando o Publicitário Pernambucano Liszt Rangel

Fonte: Campina Espírita

Liszt Rangel

Campinaespirita – Inicialmente, gostaríamos que você falasse a respeito do trabalho de pesquisa sobre a vida de Jesus que você vem realizando e que já resultou em três livros. De que trata esse projeto e o que o motivou a realizá-lo?

Lizst Rangel – Há oito anos nós estamos pesquisando o Jesus Histórico, ou melhor dizendo o Yehoshu´’a Histórico. Como muitas pessoas, nós também tivemos uma formação católica na infância, e quando chegamos a adolescência fomos levados a uma educação de natureza protestante, todavia minha família era espírita e isto é claro ao lado de uma grande confusão na minha cabeça de menino, despertou também uma necessidade incrível em mim de procurar o que era verdade sobre a história de um homem fantástico que é Jesus. Descobri então,que o problema é que deram um roteiro de cinema nas mãos de 4 produtores (Mateus, Marcos, Lucas e João), e cada um resolveu contar, muitas vezes, o mesmo fato com aquele herói, de forma diferente.

CE – Você lançou recentemente, a terceira obra da série sobre a vida de Jesus: “Arqueologia dos evangelhos – uma releitura histórica do pensamento de Jesus”. Fale-nos a respeito.

L.R – Como ainda tenho dificuldades com o grego e com o hebraico, convidei um amigo e parceiro de pesquisa que domina bem estes idiomas e nos lançamos a traduzir o Evangelho de Marcos. O meu interesse nesta pesquisa acerca do Jesus Histórico não é procurar a palavra exata usada naquele tempo, ou defender o Espiritismo, mostrando seus pontos de contato com o pensamento universal ou até mesmo com pensamento judaico de Jesus. O Espiritismo não precisa de advogados! A minha preocupação é histórica, daí o nome “Arqueologia”. O livro posssui mais de 100 verbetes históricos, esclarecendo o contexto social em que foram proferidas aquelas palavras e até mesmo se aquelas palavras são do próprio Jesus. Tenho apenas uma pá nas mãos.

CE – Essa série bibliográfica nos chega num momento propício uma vez que a sociedade passa por uma das maiores crises no campo religioso, marcado por escândalos envolvendo representantes dos maiores segmentos do cristianismo, e provocando um aumento considerável no número de ateus no país e no mundo. De que maneira, o seu trabalho poderá contribuir para esse problema que aflige a humanidade no estágio atual?

L.R – Sim, ficamos muito felizes com a aceitação do público e para nossa surpresa, o segundo livro da série “O Cristianismo de Yehsohú’a – A Busca pelo Evangelho Perdido, foi o mais vendido das Bienal INternacional do Livro em Pernambuco no ano de 2009. Mas, não temos a presunção de modificar pouco ou muito este cenário desastroso que a religião cristã criou. Sim, digo cristã, porque o cristianismo foi uma catástrofe. Os primeiros judeus, seguidores de um Jesus não compreendido foram os primeiros responsáveis na deturpação de sua mensagem, incluo também o Sr. Paulo de Tarso e aquele grupinho que se achava escolhido de Pedro e Tiago; depois o Catolicismo criou o “Cristo” dos pagãos e transformou o que era lenda, mito em verdade histórica e deu o formato de uma religião a uma filosofia de profunda sabedoria, matando assim a sua essência libertadora. Depois, o Protestantismo não teve força para mudar esta realidade e reforçou um grande absurdo teológico e histórico: “a Bíblia é a palavra de Deus”. Isto quer dizer que o Cristianismo é uma religião de livro e tudo que for contra esta verdade não tem valor, mesmo que venha da Ciência, da História, da Medicina, da Arqueologia, não importa… Daí, como as pessoas estão amadurecendo, estão rejeitando tais contos de fada que estão na Bíblia. Uma outra questão é que mentiras e fé intolerante não levam as pessoas a transformação que elas necessitam para se sentirem em Paz.

CE – Uma outra temática de grande relevância que você vem trabalhando enfaticamente nos livros e palestras tem sido os problemas e conflitos emocionais. Fale-nos a respeito.

L.R – Sim, o campo do afeto nos interessa em muito, pois o que sentimos demonstra a realidade íntima que somos. A própria Medicina vem se interessando há alguns anos por uma abordagem que trate o Homem numa dimensão psíquica e afetiva: a psicossomática. Sobre este assunto, escrevemos um livro chamado; “Pensando com o Coração – A Influência das Emoções em sua Saúde. Este livro foi baseado em três casos extraordinários que nos chegaram e um deles eu escolhi para contar na obra.

CE – Historicamente, as deficiências de cunho psíquico-emocionais sempre se revelaram um dos principais entraves para a evolução espiritual do indivíduo. Hoje, mais do que nunca, face aos inúmeros conflitos que a vida moderna impõe a todos. De que maneira podemos nos tornar seres mais equilibrados, trabalhando os aspectos emocionais e espirituais na vida cotidiana?

L.R – É um grande desafio para o espírito na Terra, pois além do atavismo com o seu passado, pesam-lhe ainda a natureza animal de seu corpo que o liga a um pretérito de instinto sexual e agressivo e também a educação que ele recebe na esfera física vinda de seus familiares que muitas vezes lhe são espíritos afins. “Quando dizemos a uma criança: “homem que é homem não chora!”, estamos com isso reforçando o Homem de Ferro nos tempos atuais e depois somos levados a descobrir pela experiência terrena, geralmente, através da dor que até mesmo o “Homem de Lata, do filme O Mágico de Oz”, tinha coração, mas não sabia. Também quando dizemos ao nosso filho: “Estou trabalhando muito para lhe dar conforto, pagar sua escola, para podermos também passear, ir ao shopping, ao Game Station…” O que um pai ou uma mãe está imprimindo na crinaça? É que o valor da vida está nas coisas que o dinheiro pode comprar e depois eles não se queixem de seus filhos serem egoístas, insensíveis e mercenários!

CE – Em sua abordagem, você tem falado de um dos maiores desafios emocionais que aflige um grande número de pessoas e, sobretudo, casais, no mundo inteiro que é o ciúme. Há teses que afirmam que o ciúme é um sentimento natural, porém ofensivo em demasia. Você concorda? Caso sim, como identificarmos o grau de ciúme tolerável?

L.R – Sim, podemos dizer que o ciúme ainda é natural e comum devido a nossa evolução e de como também aprendemos em família sobre os sentimentos e seus valores. Uma mãe que visivelmente tem aquele amor patológico por um certo filho, com certeza irá despertar ciúme nos outros, nascendo em algum deles um sentimento de rejeição! Então, quando uma criança se sente rejeitada, logo pergunta-se: “O que fiz de errado para não ser amada assim?” Começa a surgir portanto uma modelagem de que quem ama rejeita, quem ama maltrata, quem ama espanca e depois pede desculpa, prometendo não fazer mais… ou seja, nos estruturamos afetivamente no ciúme ou em outro afeto como observamos e nos fizeram sentir. No caso do ciúme patológico, vê-se com frequência pessoas com paranóia (mania de desconfiança), com suspeitas infundadas, insegurança, medo da perda, inveja, rejeição, sendo levadas graças a estes estados afetivos a cometerem assasssinatos. Em casos de tragédia assim, tudo pode ter começado com mania de mexer nos bolsos do marido, apertar a memória do celular da esposa para ver para quem ela ligou, acessar caixa de e-mails na tentativa sempre de encontrar algo. No começo, é tudo muito natural, mas depois os sintomas se multiplicam e a relação torna-se insustentável!

CE – Mudando de pauta, gostaríamos de saber a sua opinião sobre a ampla divulgação do Espiritismo na mídia este ano. Como você vê esse trabalho de popularização da doutrina fora do movimento espírita?

L.R – Como disse Allan Kardec, já em sua época: “O Espiritismo está no ar!” O que me preocupa é o grande contingente ´de neófitos que irá chegar as Sociedades Espíritas e estas estão profundamente despreparadas para receber estes novatos! Se não nos prepararmos melhor através dos estudos do Espiritismo, não conseguiremos o objetivo para o qual nasceu a Casa Espírita: tornar-se um centro de estudos e referência espírita, não só pela instrução que ali é ministrada, mas também pela fraternidade que une as pessoas que labutam naquele local.

CE – Finalizando, gostaríamos que você deixasse uma mensagem destinada aos companheiros de jornada espírita local.

L.R – Aos amigos de Campina Grande, gostaria de renovar as esperanças em dias melhores, através da revivência da mensagem original de Jesus. Que saiamos em busca dela! Que o retiremos da Cruz, afim de que ele pare de sangrar e quando isto acontecer, nós deixaremos de ser os eternos coitadinhos, cheios de culpa à espera de uma salvação exclusivista e separacionista. Que deixemos de ser seguidores de um mito pagão e morto e tornemo-nos adeptos em compreensão consciente de um Jesus Homem.

4 Comments

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4 Responses to Entrevistando o Publicitário Pernambucano Liszt Rangel

  1. maria virginia

    nesta sexta feira ocorreu a abertura do XII fec do juazeiro do norte,tivemos a brilhante participação de liszt rangel que nos brindou com a palestra “jesus historico”,”a arqueologia do evangelho” enriquecendo-nos de imformações preciosas

  2. Murilo Ristow

    Boa noite queridos companheiros e companheiras se assim presente.

    Gostaria muito de um contato deste ser de luz chamdo de LISZT RANGEL, pois conhecendo o mesmo no dia de hoje já me torno Fã desta pessoa iluminada dos dias de hoje, se possível um e-mail seria de muito bom agrado a minha pessoa.

    Muito obrigado pela atenção, aguardo um retorno.

  3. achei muito interessante.

  4. ZÉ DO GRUPO ESPÍRITA IR. GABRIEL

    PARABÉNS PELOS LIVROS LANÇADOS,NÃO É SÓ PRA LER, E SIM PRA TER .
    CONTINUE A SUA MISSÃO QUE DEUS CONTINUE A ILUMINA-LO.
    DEUS TE ABENÇOE !

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