O Grande Damião Guimarães

O Grande Damião  Guimarães 

          InShot_20180801_214831036Sabe leitor, por esses dias estou fazendo as minhas refeições em “Manoel Rodolfo”, o saudoso. É que a esposa está lá pelas “bandas’ da capital. Foi acompanhar a sua mãe,  “ Naná”,  para realizar alguns exames. É sempre bom ficar atento, pois a energia vital do corpo, de todos,  é perdida a cada segundo e , querendo ou não querendo, estamos morrendo todos os dias, pelo menos o corpo. Cada qual tem  “prazo de validade” e aqui ninguém vai ficar. Os  corpos se vão todos os dias, mas  o espírito, a individualidade,  segue, sem fim.

“PENSE NUMA FADIGA!

Mas ela está ótima e ainda tem muita estrada pela frente.

Já por duas vezes nos cruzamos no restaurante. Será que a sua esposa foi passear na cidade   de João Pessoa,  também?  Creio que não.  Aliás  “Miaozinho” me confidenciou que os tempos mais difíceis que viveu foi, exatamente, quando resolveu morar na nossa capital. A cidade mais bela no Nordeste. Duvide não! É que ele disse que lá não tinha vida e que, agora, com a sua vinda para Itaporanga, encontrou qualidade. Eu concordo.

Tem gente que só vive para trabalhar e o importante é trabalhar para viver. Viver, poucos sabem. “Andar a pé”,  ver o nascer do sol, o por do sol, fazer caminhada urbana, conversar com os amigos sentados nas calçadas, no giro de uma hora, ser voluntário em algum movimento do bem, procurar o mestre Jesus em sua religião, ou até fora dela, bater um papo feliz com os amigos no  PROGRAMA PENSE NISSO, que vai ao ar todos os dias pela Rádio Comunitária Boa Nova de Itaporanga (http://www.radios.com.br/aovivo/radio-boa-nova-879-fm/31336) .  Apreciar as coisas simples, naturais, de Deus, sem se escravizar pelas desnecessidades impostas pela sociedade doente, consumista, que aniquila o planeta a cada momento. A felicidade é a  vida simples! Duvide não.

Em uma hora, leitor, dá, quase, para circundar a cidade toda. Isso é que  é  vida.

–  Boa Tarde Rey?!

–  Boa Tarde Dona Maria!

Um dos momentos mais significativos da vida do ser humano, enquanto encarnado é a infância. E a nossa infância, na cidade de Itaporanga, foi feita de mágica, alegrias, choros, brigas, diversões… Damião sempre foi um dos “cabeças pensantes” na elaboração das “traquinagens” infantis. Ele só perdia para o meu amigo “Veizim”, o Juvianês Serafim, esse não mais o vi.

Ainda posso relembrar, com saudades, dos rostos de todos, dos desafios enfrentados e das peias, que recebíamos das mães no retorno para casa. Mas com peia ou sem peia era difícil alguém nos convencer de que não devíamos ser crianças, mesmo as mães.

A minha mãe pendurava no armador da sala central, que logo era divisado ao entrarmos, o famoso psicólogo, a velha corda,  que muitas vezes foi usada para massagear o meu corpo. Em uma só sessão dava para se arrepender das traquinagens. Hoje, o negócio tá feio  e a mãe pode até  ser processada. Talvez tenha sido por isso que à  minha geração só deu gente de bem, compromissada com o essencial.

Vez por outra, pelas tardes, Damião convidava a molecada para dar um passeio de bicicleta na cidade. Ainda posso ver o veículo dele, uma CALOI AZUL, bem tratada. A minha não, era uma dos anos sessenta, também azul, Monark, das antigas. Era o que o meu saudoso pai podia dar. Os amigos a apelidaram de “COBAL”, aquele carro gigante, que era um supermercado volante, que fez por outra vinha a Itaporanga, no tempo em que faltava tudo. Causava espécie a sua chegada na cidade, as mães ficavam alvoroçadas. Mas todo mundo queria rodar na  minha “COBAL”, era macia e corria como um “fórmula I”.

Na verdade, leitor, quem batizou a minha bicicleta foi o meu amigo “Veizinho”. Ele tinha essa mania de apelidar tudo e todos. Saudades!

De outra sorte, Damião convocava os amigos para brincar de “carro de tampa”. E o que é isso? Explico:

 Cada garoto subtraia, por um tempo, as tampas das caçarolas da cozinha de sua casa. Era  a direção de um  carro imaginário. O meu sempre foi um fusquinha, o de Damião o Chevette, alguns mais pedantes passeavam com o  opala, um carro de luxo da época,  Corcel… os carros de antão. “Veizim” sempre pegava, da sua mãe,  a maior tampa, era o Õnibus.  Ele usava aqueles fios que servem para preencher as cadeiras, dava um nó, ficava na frente dirigindo o “ônibus” eu sempre atrás para balancear o carro e no meio a molecada, correndo , gritando. No meio a molecada . Parecia ate aqueles carros do Fred. Quando um caia, caiam todos. Eram os acidentes nas velhas estradas. Ainda bem que todos sobreviviam, só com alguns arranhões.

Em época de sete de setembro, reunia a  todos,  à Banda Marcial da  Rua Pedro Américo. Caixa de sapato, caixa  para embalagem, caixa de todos os tipos. Tinha até corneta. Usávamos as mangueiras, cortávamos – outra peia -, mas o som era idêntico. O meu era um “tarol”, uma bateria de percussão feita de lata de doces e o Damião, sempre inteligente, improvisava a fixação de alguns arames na parte aberta para que o instrumento vibrasse melhor e dava certo, era coisa de louco.  Lá íamos nós pela cidade a desfilar. Tinha até “pelotão temático” das meninas das ruas.

E o cinema leitor, esse era momento especial! O Damião inventou um projetor de Caixa de Sapatos, o “Marco de Chico Naro, que sempre foi um desenhista invejável, desenhava a fita, com algumas estórias de ação. O filme era projetado na velha garagem do velho CHICO GUIMARÃES, aquele que quando morreu, fez o seu último ato de caridade: Pediu à família que o tirasse da urna mortuária, colocasse o seu corpo no chão do tumulo e doasse o caixão a alguém pobre. Foi feito. Chico sempre teve uma grandeza ímpar. Era o matuto mais inteligente que conheci e nos dava cada conselho!

Quem não se lembra daquela engenhoca que  Damião fez para nos divertir. À  época os canteiros da cidade eram de terra. Ele montava um pau de uns dois metros em sentido vertical, na ponta outro em sentido horizontal. Nos extremos, do horizontal, amarrava cordas que ficavam penduradas, com um pau menor, que servia de cadeira. Sentávamos.

O Motor era “Veizim”, o mais forte,  que girava as duas cadeiras numa velocidade estonteante. A brincadeira parou quando, de tanto forçar, o atrito acabou por desgastar a parte superior e a turma foi jogada longe. Nesse dia obtive alguns pontos na testa

Foi bom revê-lo Damião. Não mais parques, não mais bicicletas, não mais cinemas, não mais “carros de tampa”, mas muitas saudades.

Há mais vida dentro do que a temos fora, por enquanto…

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO

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