AMOR PLATÔNICO

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( CLÁUDIA BANDEIRA.)

Lendo as cartas enviadas pelo Papa João Paulo II a sua amiga filósofaAnna Teresa Timinieska , fiquei admirada com a pureza de amizade e sentimentos que havia entre os dois. As más línguas podem até enchê-las de censura, eu só vi riqueza e delicadeza, ou um amor platônico… Será? Seria impossível? Quem o saberá? Então homens e mulheres não podem ser apenas amigos?

 Lembrei-me que, certa vez, discutindo a respeito do “Amor platônico” com uma amiga minha, ela dizia que encravava esse “tipo” de amor como uma causa perdida, sentimento falido, que se não fosse revelado ou vivido, cedo ou tarde acabaria em obsessão. Essa conversa amiga me fez escrever sobre o amor, o amor em mais uma de suas modalidades… a distância de trezentos oceanos.

Amor Platônico

O que entendes afinal sobre o “Amor Platônico”? Algo obsessivo? Não, isso não mesmo. Amor platônico pode ser um amor puramente impossível, difícil, idealizado ou não correspondido. Eu diria que é um amor que, de tão sofrido, foi sublimado.

Obsessivo? Não, se quem o sente foge do perfil da neurose. É mais discreto o amor platônico, é mais respeito e admiração pelas virtudes do outro, do seu caráter, seu nível, postura ou inteligência. Um amor puro, cândido, sem malícia, livre das efervescências das paixões mundanas e interesseiras.

É um amor de monólogo, mas que não se retém no tormentoso sofrimento, ele é feito de luz e quem sabe, de esperanças… Lá, caladinho no seu canto, é alguém que admira, que escreve nas linhas da vida uma história que jamais será lida, vivenciada ou assistida, feito letrinhas de rodapé, que o leitor apressado e desatencioso deixa passar batido.

Obsessão, não. O amor platônico nasceu da necessidade de explicar um amor respeitoso e quase divino. Dizem que Platão criou o conceito do “mundo das ideias” onde tudo era perfeito e o mundo que chamamos de real era apenas uma cópia imperfeita do mundo daquele outro, portanto, o amor platônico seria um amor perfeito, existia não numa mera ilusão, mas num mundo apurado, correto e delicado, eis a sutil diferença entre mundo dos sentidos (ilusório) e o mundo real, perfeito e permanente.

Tomar a sutileza da palavra, a leveza da expressão, a simetria das formas subjetivas do termo Amor Platônico por amor de obsessor é por demaisrude, pavoroso, grosseiro, não acha? Fere… Ah, o amor vestal, límpido, obrigado a se viver escondido, recolhido… de certa forma condenado a jamais ser vivenciado, mas mesmo assim suportado com firmeza, ternura, sublimação, aceitação. É um amor divino, que não se aproxima, não se toca, não se roça, apenas se ama a distância, sem jamais se perder de vista. Eis o genuíno amor platônico.

Não sei se quem o vive, experimenta momentos de tristeza ou plenitude, pois nunca passei por uma experiência tão sutil e delicada, mas sei que não é amor para almas comuns e fugazes. Felizmente nunca experimentei um amor assim, a distância de trezentos oceanos, mas eu o imagino como um amor perfeito, do tipo que atravessa eras e tempos, que vive milênios, que transcorre encarnações, sempre num encontro de ternura e de distâncias…

CLÁUDIA BANDEIRA.

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