O Pão Nosso de Cada Dia

PAES

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO
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Os Pão Nosso de Cada Dia
(Reynollds Augusto Cabral)

Ainda está fresco na minha memória um fenômeno social, para não dizer comercial, que acontecia na outrora pacata cidade de Itaporanga, nos anos oitenta. Os famosos “Pães na Janela”.

É que as padarias da nossa cidade, para cativar a clientela, faziam aquelas tradicionais vendas mensais, “uma freguesia”, se obrigando a deixar todos os dias, lá pelas cinco horas da manhã, em cada janela das residências, os pães, quentinhos, de cada família.

Quem não se lembra? Principalmente os quase “quarentões” como eu. Eh,eh,eh.

Os lá de casa eram cinco, pães: três franceses e dois doces. Não falhava ou não faltava um só dia as suas entregas. Era uma graciosidade para cativar a freguesia.

Os pães antes eram grandes, saborosos, com aquelas casquinhas firmes, que recheados com manteiga, derretendo no seu interior e molhado no “café quente” traziam aquela sensação de infância feliz, de alegria familiar. Hoje, quase não os vemos. E assim, o dia começava para o aprendizado sem fim.

Destaques para a “PADARIA DE RANULFO”, pai do meu amigo JUNIOR e que perdi o contato, como também a padaria do “Nonato”, “PADARIA LEILA”, nome dado em homenagem á sua filha LEILA ROSA, minha amiga de infância, guardada no meu coração, e que hoje mora lá pelas bandas da Capital, sendo servidora do Tribunal de Justiça da Paraíba.

Pois bem, naquele tempo os ares eram menos densos e a vida corria sem gravidade na Rainha do Vale. Assaltos eram coisas de cinema. Não existia esse negócio de droga, o mal da humanidade.

A turma, hoje, se amarra á ilusão fugindo da vida. O consumo e a venda de drogas só demostram o quanto uma parcela da humanidade ainda está atrasada e essas pessoas não sabem, como diz um amigo meu, “um pingo” do que é a vida ,fugindo dela e não indo para lugar nenhum.

O Estado ainda não educa.

Mas tinha e sempre houve os gaiatos de plantão, os moleques da eterna Rua Pedro Américo, hoje Soares Madruga, numa justa homenagem ao Deputado, nosso benfeitor.

Pois bem, não vou declinar o seu nome, pois hoje é um homem de bem, pai de família exemplar, para que não haja especulação. Vou chama-lo de “JOSE”.

Existiam algumas famílias que não faziam esse tipo de contrato e preferia comprar todos os dias os pães de cada dia, já que da outra forma o pagamento era mensal e dava a impressão que seria muita grana.

“Dona Maria”, mulher de garra, mandava “JOSÉ”, seu filho amado, lá pelas 05h30min, comprar os pães do dia pois, naquele tempo algumas famílias ainda acordavam com os galos, para comprar os saborosos pães.

Era aí que vinha a “astúcia”, JOSÉ, para ficar com o dinheiro e fazer o seu “cofrinho”, sorrateiramente, abria os pacotes de cinco janelas e fazia a feira, a cada dia em casas diferentes, para não gerar suspeitas e “confiscava” um pão.

“Comprava” os pães todos os dias, para a mãe, e ainda voltava com o dinheiro.

As famílias notavam sempre que a padaria uma vez ou outra mandava o pacote com menos um pão. Os protestos surgiam, mas a fornecedora assegurava que nunca mandou a menos. Nunca tinha errado.

Até hoje eles não sabem que o pão que faltava era JOSÉ que “confiscava”. Sei disso, pois, como era seu amigo do peito, me confidenciara.

E VIVA A RUA PEDRO AMÉRICO E O PÃO NOSSO DE CADA DIA!

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO.

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